Ninguém deve se arrepender de um curso superior

Foto capa da postagem sobre curso superior no site Gabriela Araujo. Carreira & Trabalho

Frequentemente me perguntam se me arrependi de ter cursado turismologia na faculdade.

Compreendo que isso se dá porque o turismo é uma área complicada. É um campo cercado de desafios que gera por vezes a sensação de pouco retorno, financeiro e profissional.

Isso sem contar que é extremamente sensível à fatores externos; não precisamos pesquisar muito para avaliar como o setor turístico foi afetado pela pandemia que estamos vivendo.

Ainda assim, nem me ocorre responder que me arrependi de meu curso. Hoje não trabalho com turismo porque estou buscando profissionalizar a minha escrita, mas ainda acompanho notícias sobre turismo bem como falo, leio e escrevo sobre ele.

Nem mesmo descarto a possibilidade de me envolver em algum projeto da área no futuro. A escrita e a viagem são minhas paixões, tanto que uni ambas em meu blog.

Isso significa que somente de amores vivo pela área? De maneira alguma. Entendo bem o que é se decepcionar quando sai da faculdade e descobre que o cenário externo é, no mínimo, inóspito.

Formou? Agora que fica divertido!

Por muitas vezes mal acabamos de jogar o capelo para o alto e tomamos um gelado chá de realidade sobre o que nos espera. Como falo no artigo sobre a jornada do turismólogo, isso definitivamente aconteceu comigo.

As estrelas nos olhos de um recém-formado logo se apagam quando se deparam com um baixo salário médio, oportunidades escassas e a inexistência de um plano consolidado de carreira.

Vez ou outra pode acontecer de sermos completamente apaixonados por um assunto, mas somente na teoria. Aí o frenesi de estudar sobre uma área morre quando começamos a vivenciá-la na prática.

Mesmo que você tenha vivido ou esteja vivendo uma dessas sensações, não há razão para se arrepender de ter feito um curso superior. E te explico por quê.

Abre-te Sésamo

Primeiramente, o curso superior te abre portas para um conhecimento que vai além das matérias específicas que estudou.

Constantemente as discussões que travamos durante uma aula ganham asas próprias e percorrem longas distâncias. Podemos começar falando sobre negócio e acabar refletindo sobre todos os sonhos nos quais não investimos por medo.

Está na hora de crescer

O ambiente da faculdade te ensina sobre responsabilidade, disciplina, prioridades, esforço e sacrifício.

Isso significa que você tem a oportunidade de amadurecer durante a faculdade e ter um vislumbre do que a vida adulta vai requerer de você.

É claro que muitas pessoas enxergam esse período como “o último momento para ser jovem e inconsequente”, mas tudo depende de sua mentalidade e varia também de acordo com os privilégios de cada um.

Contudo, de maneira geral, é esse o período em que começa a engatinhar para enfim caminhar com as próprias pernas e depender de si mesmo.

Use o passado ao seu favor

Ainda que mude de carreira, os conhecimentos que absorveu seguem com você e podem inclusive servir de degrau para o seu sucesso em outro campo.

Quando comecei a publicar artigos na internet, por exemplo, falava sobre turismo e até colaborei com o Vivenciando Turismo, um portal extremamente rico tanto para quem trabalha na área como para quem quer trabalhar.

Ou seja, não é porque você não quer mais trabalhar na área que estudou que tudo o que aprendeu até ali não mais te servirá. Faça o seu passado de munição para o futuro que almeja alcançar.

Celebre suas conquistas

A graduação é um fruto conquistado a partir de dedicação, tempo e compromisso seus. Toda e qualquer conquista pessoal é motivo de celebração — afinal, nossa jornada é sobre aprendizado e evolução.

Sei bem que é frustrante investir tanto em algo que no fim não nos dá a recompensa que gostaríamos. Mas não é motivo para se arrepender de ter feito um curso superior.

Raramente podemos voltar atrás em nossas decisões e definitivamente não podemos inverter o relógio, então não seria melhor ao invés mudar nossa perspectiva?

Qualquer vitória conquistada deveria nos causar orgulho porque é resultado do que nós trabalhamos muito para conseguir. Celebremos nossos feitos, mesmo aqueles que já não fazem tanto sentido no agora.

Tempo ganho, não perdido

Um curso superior jamais poderia ser perda de tempo.

Aprender sobre qualquer coisa é sempre melhor do que não aprender sobre coisa alguma. Todo, eu repito: todo, aprendizado é válido.

Jamais cometa o erro de acreditar que um ensinamento que teve não te servirá para para nada. Ele pode não ter mais para ti o uso que calculou de início, mas ele sempre pode ser auxílio de alguma forma.

Qualquer tempo investido em educação é um tempo proveitoso, mesmo que nunca trabalhe com aquele assunto. Um exemplo simples disso é aquele conjunto de pessoas que reclama dos anos perdidos estudando matemática na escola.

Eu mesma era uma adepta ferrenha do discurso “nunca vou usar a fórmula de Bháskara para nada”. Sabe o que aconteceu? Outro dia mesmo escrevi uma prosa poética intitulada “Bháskara de dor”. Cômico, né?

O que a matemática me ensinou? O que eu não queria para a minha vida. Faço sentido do mundo através de palavras, não equações. E se fosse o contrário também estaria tudo bem.

Aquilo que nos faz ter uma visão mais clara de nossos objetivos não deve ser subestimado. Tudo o que você aprende tem o seu valor — nem que seja só para te mostrar o que não fazer.

Isso é, sobretudo, o que evita que verdadeiramente perca tempo porque te impede de seguir um caminho que não é seu.

Ninguém deveria se arrepender de ter feito um curso superior. Todas as experiências que adquirimos ao longo da vida são os passos que damos para chegar ao presente que somos.

E aí, repensou essa coisa toda de arrependimento? Fique à vontade para me contar sua experiência!

Foto em destaque por Jonathan Daniels. Retirada do site Unsplash e está de acordo com a política de direitos autorais.

1 COMMENT
  • Não precisamos de férias - uma crônica | Gabriela Araujo
    Responder

    […] Não consentimos a uma rotina que nos acorrenta, nos acostumamos a ela como nos acostumamos a tantas outras coisas que não acreditamos sermos capazes de mudar. […]

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