Quando foi que término virou sinônimo de tragédia?

Foto capa da postagem sobre término no site Gabriela Araujo. Comportamento

Quis redigir esse texto porque recentemente me peguei verdadeiramente devastada por um término de relacionamento entre outras pessoas e comecei a questionar o porquê (meu passatempo favorito de todas as horas).

Refletindo sobre essa exaustão de teorias e inquietudes, sem querer fiz uma lista. Organizei os responsáveis pela nossa instabilidade emocional na categoria de contos.

Não se engane. Esse texto escrevo tanto para mim quanto para você, escrevo para aprender mais do que para ensinar. Escrevo porque também preciso ler.

O conto da “Alma Gêmea”

Descrição: criaturinha mística que nasceu para lhe completar e atribuir sentido à sua existência.

Toda vez que escuto uma defesa da teoria da “metade da laranja” penso que a natureza é defeituosa, porque deve haver uma falha irreparável no sistema de produção se todos nós nascemos com uma parte faltando.

E que fardo estamos dispostos a depositar nas costas de alguém, não é mesmo? Imagina só colocar nas mãos de outra pessoa a chance de escrever nosso roteiro. Que egoísta pensar que alguém nasceu exclusivamente para nos fazer inteiros. Como se ela fosse conhecer o guia do nosso bem estar mais do que nós mesmos.

No mundo em que panela requer tampa, seja uma frigideira.

Você pode sim encontrar alguém com quem tenha uma conexão incrível e recíproca; inclusive, ótimo se acontecer, cuide bem. Mas a pessoa não tem como missão de vida refletir suas ações e muito menos dar sentido à elas; ela já está bem ocupada fazendo isso por ela mesma.

O que podemos fazer é somar à vida de alguém, mas não é nosso papel (e saudavelmente nem deve ser) assumir o protagonismo do espetáculo de outra pessoa. Sejamos nossos próprios protagonistas porque afinal, somos os únicos habitantes de nossos corpos e portanto somos os experts em saber como navegá-lo.

E caso ainda não saiba, não dê a direção para o copiloto não. A nave é sua, então assuma o controle sobre ela. Acredite, uma hora você pega o jeito.

O conto do “Amor Romântico”

Foto um postagem artigo sobre término no site Gabriela Araujo.
Descrição: utopia disfarçada de ideal alcançável que destrói relacionamentos amorosos.

Ideal. Parte da ideia. Do que idealizamos. Aquilo que provém de nosso imaginário. O que deriva do que buscamos. Do que retoma àquilo que acreditamos precisar. Antônimo do que é de verdade. À todos que buscam por alguém que atenda aos requisitos do amor romântico:

Namore com você mesmo.

Do contrário, sempre irá sair frustrado. Este conto está presente em diversas histórias que ouvimos desde crianças e em consequência, são aquelas referências que temos para os relacionamentos que tentamos construir.

Aí neste momento peço a você que respire fundo e questione tudo o que a Disney ensinou. Pode doer, eu sei, mas quando parar para pensar, vai entender como é injusto projetar expectativas derivadas da ficção em uma pessoa composta por humanidade.

Em nossa tida realidade, relacionamento é trabalho e não um destino escrito nas estrelas. Se você pisar na bola, não vai aparecer uma vizinha sábia para te dar aquele conselho chave e te fazer correr atrás da garota. Se você não admitir para si as suas falhas e trabalhar nelas, não vai ter profecia que faça o “felizes para sempre” acontecer.

Seja você de quem você precisa.

Não tente moldar alguém a ser quem você precisa. Essa função é sua. Deixe o outro ser quem ele é e entenderá que o amor da vida real dispensa encantos, ele só requer mesmo é compromisso. A magia é a gente quem cria.

O conto da “Solidão Perversa”

Descrição: estado ilusório de perigo que precisa ser revertido partilhando sua vida com outra pessoa através de uma relação afetiva.

Já parou para questionar quando foi que começamos a pensar na solidão como vilã? A solidão é a nossa primeira consciência, um encontro da gente com a gente que revela todos os outros caminhos. Por que raios de razão pensamos que estar sozinho é castigo?

Se não estivermos confortáveis em nossa pele, como encontraremos conforto em outro lugar? Estar sozinho representa que temos ainda uma casa para a qual voltar, que temos várias janelas em nossas almas para desvendar.

Solidão se traduz em benção, não em maldição.

É claro que enquanto seres sociáveis temos essa carência por afeto e esse desejo por companhia. Não há nada de errado em querer ter alguém por perto, é só perigoso achar que precisamos ter alguém por perto para funcionar.

É perigoso acreditar que a nossa existência só é válida se for compartilhada com outro. É delicioso ter alguém para se orgulhar de nossas conquistas e nos acolher em nossos fracassos, mas essa não é a única forma de viver bem. Por que seria?

Somos seres tão diversos vivenciando experiências distintas todos os dias, ricos em cor, em vontade, em sentimento. Como poderia haver uma receita de bolo única que agradasse ao paladar de toda a humanidade?

Precisamos cada um encontrar o sabor que melhor nos apetece e manter em mente que diferentes ingredientes podem compor o nosso prato favorito.

Há beleza em estar sozinho pela simples razão de que há beleza em nós.

Foto dois postagem artigo sobre término no site Gabriela Araujo.
Picture by David Becker_Unsplash

O conto da “Verdadeira Felicidade”

Descrição: o devaneio de que a felicidade genuína você só consegue alcançar se encontrar uma pessoa para amar.

Posso te contar uma coisa que descobri? Felicidade é um conceito que dispensa o arco, a flecha e o alvo. Ela não é um objetivo e nem deriva de nada. Ela existe quando permitimos.

Felicidade verdadeira é aquela que você vive diariamente. Inclusive, é bem fácil ser feliz quando está ouvindo baboseiras românticas ao pé do ouvido e se sentindo sortudão porque alguém disse que te ama de volta.

Difícil mesmo é ser feliz naqueles momentos que até seu cachorro foge de você. Difícil é ser feliz com o que você é nos momentos que não precisa ser nada para ninguém. É fácil ser feliz com o coração em festa, difícil é ser feliz no vácuo.

Felicidade não pede por motivos, o nome disso é euforia. Felicidade não requer uma causa e não é uma carta que necessita de remetente; é uma declaração de amor endereçada à nós mesmos.

Felicidade só pode ser verdadeira, se for qualquer outra coisa já deixou de ser felicidade.

A história de que a felicidade quem vai te trazer é o coleguinha ao lado é balela. Sai dessa. Ou vai entrar naquele ciclo já mencionado de jogar uma responsabilidade gigante nos ombros de uma pessoa que não poderia dar conta de atender nem se quisesse.

Não é justo nem prático transformar uma influência externa em sinônimo de felicidade, muito menos se esta for uma pessoa. É tentar encher o copo na torneira quando não tem água; você pode até conseguir umas gotinhas esquecidas no filtro, mas não vai matar sua sede.

A felicidade está em ser e por isso só você pode desvendar a sua.

O conto do “Amor Faz Sofrer”

Descrição: noção distorcida de que o preço pago para amar é o sofrimento.

O ser humano é um ser masoquista dos pés à cabeça. Esta fábula nos convenceu de que só é amor se sofrermos pela pessoa amada. Acabou e se eu amava a pessoa, tenho que definhar. Tenho que sentir perdê-la alterou o rumo de minha história.

Preciso que comprometer negativamente a minha saúde física, minha sanidade, minha personalidade e meu cotidiano. Tenho que traduzir a separação na perda da vida que conhecia. É isso que manda o roteiro.

O roteiro é burro. Aliás, a peça toda é burra. Quem é o criador? Demite.

Somos convencidos de que o sintoma do amor é sofrer. O amor não é doença não, galera. Não requer medicamentos e nem leitura da bula. Amar nos torna vulneráveis e em consequência podemos experimentar sensações conturbadas, mas o sofrimento não deve nunca ser romantizado.

O amor não deve ser relativizado em nome de imperfeições.

Não é porque o amor é paciência e perdão que devemos relevar absolutamente todos os erros para provar que é amor de verdade. Sabe o amor que deve existir antes de todos os outros que você vai sentir? Esse mesmo que você pensou porque no fundo já sabia: o amor próprio.

Este daí não deve ser deixado de lado nem por um instantinho. E sabe de outra coisa? Não é porque você desistiu do que te fazia mal que nunca sentiu amor de verdade, significa que você entendeu um ponto muito importante: o amor genuíno nem ao menos exige reciprocidade.

Ele não pede nada, ele só vive pelo tempo que é seu para existir. Às vezes ele acaba porque o relógio anunciou que era hora e às vezes ele cede espaço para outros sentimentos. Às vezes precisamos lembrá-lo de que ele já está fazendo hora extra e assim ele se vai, deixando cicatrizes em forma de aprendizado.

É o sentimento que fomos agraciados em poder passar adiante e não existe nenhum elemento nocivo em sua composição. E por mais que cantemos, escrevamos e atuemos sobre as complicações de amar e ser amado, a arte não pode ser interpretada como manual.

Não sacrifique o amor no altar da poesia.

Aposto que você se sente acalentado ao ler um texto que fala exatamente sobre como está se sentindo e descreva aquilo que pensou que necessitava ouvir. Definitivamente não sou imune a isso e inclusive já escrevi mais textos do gênero do que poderia contar.

Arte pode ter esse papel de ombro amigo e às vezes é o abraço do qual precisamos. Serve como o divã que talvez não possamos pagar e o confessionário onde nos expurgamos de nossas mazelas. A arte é extremamente rica e relevante. Contudo, é verdade que a arte é uma das maiores responsáveis pela romantização do sofrimento.

Se você faz parte de alguma rede social contemporânea, com certeza já deve ter percebido que hoje o sofrimento está na moda. Há uma comoção solidária sobre aqueles que ficam em casa no sábado à noite chorando com um filme na Netflix enquanto o crush está na balada.

“Fazer origami com o papel de trouxa” nunca esteve tão em alta. O poder de assumir os sentimentos é incrivelmente válido, principalmente na era em que ainda precisamos combater aquela velha cultura do “fazer joguinho”.

Mas é preciso perceber que às vezes o seu orgulho em ser “trouxa” (expressão na qual pautaria um texto inteirinho inclusive) deixou de ser instrumento de empoderamento da sua sensibilidade e se tornou o artefato que te impede de ser todo o resto.

Explore o melhor da arte e das plataformas para aliviar sentimentos ruins, mas não os cultive. Não crie sementes de dor. Sofrimento só serve de adubo para que raízes profundas se criem e quando perceber já vão ter galhos saindo pela janela.

Não regue a planta com lágrimas se não deseja se afogar.

Foto três postagem artigo sobre término no site Gabriela Araujo.
Picture by Christopher Campbell_Unsplash

O conto da “Mudança é Dor”

Descrição: narrativa que promove a propagação da dor como protagonista em qualquer processo de mudança.

Temos o costume de pensar em transformações como agentes de dor. Em nossa defesa, essa ligação entre mudança e dor está em todo lugar.

O Hulk urra de dor quando seu corpo entra em mutação, a mulher se contorce de dor com as contrações em preparação para o parto natural (que vai transformá-la de filha à mãe e mudar seu corpo que previamente era um lar), um osso dói quando sai do lugar.

Contudo, essas são mudanças físicas. Existe toda uma explicação biológica para dar sentido às dores carnais que sentimos com mutações. As mudanças emocionais e psicológicas envolvem algumas outras questões.

É claro que o mais doloroso é quando um término acontece por decisão de outrem. O bicho pega nesse caso. Nossa vontade é contrariada. Nossa vida muda e não é porque assim escolhemos. E agora?

E agora nada. A vida está cheia de metamorfoses que não escolhemos, queremos ou pensamos precisar. Isso não é surpresa. Sempre foi assim e sempre será. Às vezes algo vai acabar e não vai ser porque a gente quer.

E por mais vezes do que não, adentramos um período de frequentes mudanças. Imagina como fica maltratada a nossa mente se encararmos todas as mudanças inesperadas como penetras em festa em que não há comida suficiente nem para os convidados.

A vida não é como a gente quer e não tem que ser.

O mundo existe antes de nós e continuará existindo depois que partirmos. O papel do mundo não é nos servir e precisamos parar de pensar que é o caso. Confundimos a felicidade com a satisfação de nosso ego e é aí que a gente se estrepa.

A dor não é a mudança, a dor é a negação de nosso ego. Sabe por que sei disso? Porque somos movidos pelo ego ao executar a maior parte de nossas ações. E também porque existem estudos e mais estudos sobre a relação abusiva que temos com o ego.

Nosso ego nos escraviza.

O ego é um sujeito inteligentíssimo. Ele orquestra a performance de um jeito que confundimos o ego com quem somos. E é por isso que temos a sensação de que tudo está perdido quando algo acontece que contraria o nosso ego. É como se o destino estivesse contrariando a nossa própria essência.

Deste modo não admitimos o rompimento de uma linha perfeita de sucessão quando não fomos nós a dar a ordem. É frustrante, decepcionante e desolador dar com a cara na parede quando achávamos que era nossa mais bem-sucedida corrida.

Só que muitas vezes é uma bifurcação simples diante de nós: siga pelo caminho da aceitação ou permaneça exigindo do mundo uma resposta que ele não vai dar. Caso ajude, entenda como um redirecionamento necessário que não fornece explicações, só pede confiança.

Foto quatro postagem artigo sobre término no site Gabriela Araujo.
Picture by Velizar Ivanov_Unsplash

A doutrina prega: se tem que mudar, tem que doer.

Por outro lado, aprendemos a detestar términos também porque somos afogados em referências de mudanças como acontecimentos negativos. Atire a primeira pedra quem não se lembra do ditado: “Em time em que se está ganhando não se mexe”.

Ele até tem um ponto se partimos do princípio de que não faz sentido buscar melhorar o que já é perfeito, mas a humanidade já alcançou a perfeição alguma vez? A resposta seria um alto não. Então como temos tanta certeza de que o estado atual das coisas é o melhor?

A perfeição nem é um estado que cabe em nosso raio de alcance, logo é inútil pensar que a situação perfeita é a imutável. A forma mais próxima de chegar à perfeição é a evolução.

Evolução implora por movimento.

Para nos tornarmos seres melhores, passaremos por diversas metamorfoses ao longo da vida e nem todas elas acontecerão por nossa vontade. Não estou certa de que quando a lagarta se torna borboleta, ela está total de acordo ou ciente da situação. Mas no final, a natureza não comete erros e é tudo para o melhor.

Ao nascer, não nos dão um contrato estabelecendo as cláusulas desta aventura louca, mas assinamos mesmo assim com caneta permanente esperando que valha à pena, né? Vamos ao invés vivendo uma página de cada vez, torcendo para que a última demore a chegar.

E ao longo dessa jornada, o que nos faz descobrir a próxima peripécia é a arte de seguir caminhando, buscando, jamais se acomodando a um parágrafo que não nos satisfaz ou nos desesperando com uma frase errada. A gente muda e faz tudo mudar.

Isso não significa que não deva ficar com uma pessoa pela vida inteira, tá? Cagação de regras passa longe daqui. Encontrou um chuchuzinho? Opa, vão curtir muitos anos juntinhos. O que proponho aqui é que a vida siga junto com o mozão ou sem ele.

A evolução requer o escárnio da estagnação.

O conto do “Tempo”

Descrição: toxina que nos ludibria ser o tempo o culpado e/ou o herói de todas as coisas do coração.

  • “Desperdicei tempo”;
  • “Não valeu à pena porque acabou”;
  • “Passamos tanto tempo juntos e agora o que faço sozinha?”;
  • “Passei tanto tempo com ela que não sei mais quem sou”;
  • “Não valeu à pena porque não vamos passar a vida juntos”;
  • “Passamos pouco tempo juntos, não pude convencê-lo de que era certo”;
  • “Não foi válido porque o amor de verdade é o que dura para sempre”;
  • “Se eu tivesse tido mais tempo, teria sido melhor/diferente”;
  • “Talvez seja só um tempo, e depois voltamos”.

Ô tempo, você sabia que é tido como veneno e cura?

De tanta coisa que colocamos na sua conta, aposto que deve viver endividado. Existem tantos capítulos nesse conto do Tempo que levaria muito tempo (ahá) para ler e o interesse se perderia. Sendo assim, segue um resumão:

O amor de verdade é o amor que existe.

A frase acima pode até parecer redundante e é mesmo. Achei que era necessária, porém, para desmistificar a ideia de que o amor real é aquele que dura a vida inteira. Aquele que só tem fim quando o oxigênio deixa de ser necessário.

Que é aquele que faz com que um casal idoso morra ao mesmo tempo deitados na cama que compartilharam por tantos anos. Aquele que criou sua própria unidade de tempo.

Ei, psiu. Não é nada disso.

O amor real é simplesmente aquele você sentiu, sente ou sentirá. Ou seja, se houve amor, ele foi de verdade. Simples, né? Devia ser. Não tem mínimo de tempo de experiência, não é entrevista de emprego. Para amar não precisamos assinar termos estabelecendo prazos de vigência, para amar só precisa fazer sentido.

Como, em nome do que é justo, iríamos atribuir a quantidade de tempo adequada para que um sentimento fosse válido? E quem, por curiosidade, seria qualificado o suficiente para determiná-la? Talvez fosse possível em um episódio de Black Mirror, mas se você assiste a série sabe que seu roteiro é baseado no que há de mais perverso na humanidade.

Acha mesmo que ia resultar em boa coisa?

Não é porque o rótulo diz “expirado” que o produto nunca teve validade.

E essa ideia de que já que o relacionamento terminou, na verdade ele nunca valeu tanto assim? Eu sempre ouvi que o passado influencia o presente, mas a menos que tenhamos entrado no mundo da série alemã Dark ou em qualquer filme sobre realidade paralela, não sei como o presente passou a interferir no passado.

Caso você tenha descoberto que o ex é na verdade a personificação do inferno, até compreendo que seus sentimentos sobre tudo o que foi vivido mudaram, mas ainda neste caso o passado segue imutável porque não podemos voltar e alterá-lo.

A atitude a tomar é pegar a nova perspectiva e trabalhar com ela no presente. Se a nova perspectiva te fez ver que o relacionamento foi na verdade um show de horrores, você tem total razão em questionar seus atributos, mas ainda não tem relação com o tempo.

E quando é só porque acabou?

Agora quando a razão de atribuir o mal à relação é somente o fato de que ela teve um fim, precisamos parar e repensar o porquê. Se foi um relacionamento saudável, equilibrado e recíproco, ele tem seu valor. O término pode ser contrário às expectativas que você tinha para a relação, mas aí o papo é outro e qualidade não tem nada a ver com isso.

O término pode ter sido traumático ainda que tenha sido um bom relacionamento? Pode. Penso, porém, que este é o caso da ex embuste já citada. Se alguém não procura ter cuidado para dar um final digno à uma história, provavelmente ela nem merecia ter feito parte dela.

No fim das contas, só quem pode determinar se valeu à pena ou não é você. Mas é preciso lembrar de que a duração de um relacionamento não influencia em sua virtude. Existe quem faz meses parecerem monótonos anos e tem quem faça seu mundo girar em cinco minutos.

Foto cinco postagem artigo sobre término no site Gabriela Araujo.
Picture by Ben White_Unsplash

O tempo não faz nada. Nós sim.

O tempo nem sabe que a gente existe. Imagina só quantos problemas para resolver ele recebe na caixa de e-mail todos os dias! Ah, a vontade que ele deve ter de rotular tudo como spam.

Todo o mérito de superação é seu. Toda responsabilidade por fazer merda também. É tudo sua bagagem, não adianta largá-la no aeroporto sem etiqueta.

O relógio foi só um medidor que nós inventamos para nos sentirmos mais em controle sobre o mundo. Ele não tem poder nenhum a não ser aquele que atribuímos a ele, ou seja, no fim somos nós os fomentadores das feridas e dos curativos.

Em suma, o mundo não tem um plano maléfico para estragar a nossa vida. Ela não depende de que nossas relações sejam favoráveis ou duradouras para ser legítima. Nossa vida é intermediada por experiências, mas só depende de nós para acontecer.

Momentos são finitos. E tá tudo bem.

O tempo não precisa ser nosso inimigo e nem deve ser porque é um adversário o qual não podemos vencer. Pense nele como um mentor e ouça quando ele fala.

Você vai ficar bem quando perceber que estar bem é nossa predisposição. O resto é só um conjunto de histórias de terror que guardamos na memória.

Nós somos nossos próprios bichos-papões.

Originalmente publicado no Medium em outubro de 2018.

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