O isolamento que nos uniu

Foto capa do artigo O isolamento que nos uniu no site Gabriela Araujo. Comportamento

Eu imagino que você tenha participado ou ouvido falar do advento das “lives” que surgiu neste período de isolamento social graças ao Covid-19.

Existem aquelas lives que são apresentações transmitidas ao vivo pela internet. Alguns artistas começaram a fazê-las para ganho pessoal ou arrecadação coletiva de recursos para auxiliar quem está frente a frente com essa pandemia.

Existem também aquelas lives que nada mais são do que uma reunião de um grupo de pessoas. Em um aplicativo ou site de chat para colocar o papo em dia, a chamada “resenha” em tempos de Corona vírus. É sobre esse tipo de live este texto.

Usando a internet para aproximar distâncias

Há muita gente pela internet falando sobre produtividade e sugerindo diferentes maneiras as quais pode utilizar esse período de isolamento em sua vantagem. Seja modernizando o seu negócio através do home office, aprendendo um novo idioma, assistindo palestras ou iniciando a prática de ioga.

Você pode ver esse período como uma boa oportunidade para fazer tudo isso ou não, e isso não faz de você melhor ou pior do que ninguém. Estamos no meio de uma pandemia que transformou para sempre nosso estilo de vida e a forma como o mundo funciona, isso nos impulsiona a tomar reações diferentes.

Uma coisa que é comum para a maioria de nós é a maneira como isso está nos afetando psicologicamente. E uma prática familiar é buscar o melhor modo de lidar com isso para preservar não só nosso corpo como também nossa mente.

É por isso que eu gostaria de focar nas pessoas que estão se esforçando para estreitar laços afetivos com aqueles os quais não podemos encontrar fisicamente. Inclusive aqueles os quais anteriormente nem mantínhamos um contato rotineiro.

Estamos nos esforçando para nos reconectar uns aos outros

É inevitável pensar que o isolamento social nos fez lutar para ser sociáveis, algo que ouso dizer subestimávamos quando nos era dado indiscriminadamente.

Além de nos voltar à arte neste período de crise, temos nos voltado uns aos outros para tornar essa loucura um pouco menos inóspita.

E se há algo que me encanta é quando nossa humanidade nos relembra do que importa quando o dia a dia da vida nos fez esquecer.

Utilizamos as vozes dos nossos amigos para preencher o silêncio quando ele se torna ensurdecedor demais. Somos então relembrados de que só somos nós em completude quando somos com os outros.

Isso me faz refletir sobre as vezes em que negligenciamos nossos relacionamentos na correria da vida sem jamais considerar que um dia quando a ausência deles fosse presente, o que mais desejaríamos era a sua presença.

A mudança na pós-pandemia

É só mais uma dessas reflexões que fazemos quando temos muito tempo nas mãos e é com certeza um ensinamento que eu espero levarmos adiante quando fizermos desse pesadelo uma distante memória.

Nos esforcemos mais para mandar uma mensagem para como um amigo perguntando “como vai você?” e nos esforcemos mais para marcar aquela reunião da turma antiga, e não só dizer que vamos marcar.

Vamos levar todo esse esforço que estamos fazendo agora para responder a mensagem que alguém mandou e que às vezes fica uma semana esperando retorno.

Nos esforcemos mais para visitar nossos familiares ao invés de conjurar justificativas para não fazê-lo; pensemos naquele período em que netos não podiam abraçar os avós e que você não podia comer a comida gostosa da sua mãe porque no calendário de pandemia não existe “o domingo da família”.

A vida é corrida para todos, para uns mais do que para outros, mas ela é corrida e imprevisível sim. Mas olhe só para nós agora, aqueles privilegiados o suficiente de poder trabalhar de casa ou ter férias adiantadas, temos todo esse tempo nas mãos e lugar nenhum para ir.

De que nos vale o tempo sem liberdade?

Nos esforcemos para criar tempo quando podemos escolher o que fazer dele. Então quando tudo isso passar, lembremos de agradecer pelo cotidiano mundano.

Agradeçamos pelo privilégio de comemorar aniversários com uma grande festa sem a necessidade usar máscaras, assistir a um show de nossa banda favorita sem se preocupar com manter 3 metros de distância do outro e tomar aquela gelada com os amigos no Happy Hour da sexta-feira sem se questionar se o bar vai estar aberto.

Nunca sabemos quando a simplicidade se tornará somente uma lembrança.

Originalmente publicado no Medium em abril de 2020.

3 COMMENTS
  • 5 filmes da década de 90 que ensinam até hoje | Gabriela Araujo
    Responder

    […] Como resultado, resolvi fazer essa lista com sete filmes da década de 90 que promoveram ensinamentos necessários e úteis até os dias atuais. […]

  • A geração que se apaixonou pelo “papel de trouxa” | Não Me Kahlo
    Responder

    […] Desse modo, fazer papel de trouxa seria basicamente ter atitudes ditas “trouxas” com total conhecimento sobre isso e ainda mais, escolhendo o fazer. Mais vezes do que não, está relacionado a um relacionamento amoroso. […]

  • A geração que se apaixonou pelo “papel de trouxa” | Gabriela Araujo
    Responder

    […] sobre isso e ainda mais, escolhendo o fazer. Mais vezes do que não, está relacionado a um relacionamento […]

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