Looping

Foto capa da crônica Looping no site Gabriela Araujo. Sentimentos & Devaneios

Às vezes paro para pensar na teoria de que o tempo não existe de verdade. Se este é o caso, a nossa vida não segue uma ordem cronológica como bem pensamos.

Bate então uma sensação perturbadora ao imaginar que se fôssemos capazes de desenvolver uma ferramenta que rompesse os limites físicos do que chamamos de tempo, era capaz de estarmos nos condenando a um eterno looping de possibilidades que nunca equalizaria nenhum resultado concreto.

Seria esta uma benção e uma maldição?

Por um lado, seria decididamente maravilhoso poder nos desgarrar das amarras de passado, presente e futuro que regem basicamente cada decisão que tomamos.

Elas pesam tanto sobre o que entendemos como nossa felicidade que nem ao menos percebemos que felicidade é justamente a compreensão de que estas três ilusórias dimensões de tempo são galhos de uma mesma árvore.

Por outro lado, uma vez apreendendo o conhecimento de uma ação nossa que existiria no chamado futuro, a nossa ação presente passaria a ser pautada exclusivamente na conquista ou na fuga deste futuro que ainda nem existiu.

Deixaríamos de fazer algo pelo seu sentido real e passaríamos a criar passos insignificantes em busca do fim da caminhada. E só o que atribui sentido é a jornada, não é mesmo?

Que louco é pensar que o ser humano está sempre buscando controlar tudo o que há, de um modo ou de outro.

Esse é o eterno looping: a manipulação da vida.

Como seria se deixássemos a vida simplesmente ser?

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